Um jardim bem grandão para deitar na rede.
Na varanda.
Por lá parece que o vento demora mais para ir embora.
Tempinho bom para se espreguiçar e deitar de novo.
Pegar impulso na grade, imaginar que voa.
Os pés descalços no alto da tarde.
Suspiros e olhos fechados para ter certeza de que a vida é boa.
Tenho tanta paz quando esqueço das certezas do mundo.
Meu corpo só existindo e respirando.
Sentindo apenas.
Sem distinguir o lindo do esquecido.
Aceitando o embaraço do cabelo, a pele como é.
Abrindo os braços.
E então tudo é poesia
e eu simplesmente
amando o amor.
terça-feira, 4 de junho de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Movediço
Minha paixão é frágil.
Num instante quero abraçar os seus gestos e gritar o meu amor pelo mundo.
Mas se você escapa, eu amargo.
Num rompante quero dizer sobre meus sentimentos.
Mas se você escolhe palavras frias, eu rompo.
Minha paixão é derramamento fugaz.
Num dia eu quero loucuras e nudez.
Mas se você não vem, eu adormeço.
Num minuto quero você só pra mim.
Mas se você se divide, eu ciúmo.
Minha paixão transita.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
Imensurável
Já era tão tarde. Eu ali, madura e emagrecida. O mundo sempre esmagador e cheio de encantos escondidos. Nas horas nada encontro, apenas quando perco tempo. Dá para medir coisas com o tempo? Tenho 2 meses de caos dentros de mim. Dois meses é pouco. Eu tenho um caos que me acompanha e não se mede. Os meses são de inquietação. Prefiro medir com ímpares. 3 vidas de desassossego, aí sim. Acho que prefiro medir as coisas por vida. Não. Não gosto de medir nada. Essa inquietação que transborda não tem tamanho que eu possa explicar, assim como nada em mim parece ser nominal. É tudo abstrato e pessoal por inteiro. Sinto tudo por inteiro, cada pedacinho é tão importante. Parte por parte saboreio meus atrasos, minhas tarduras. Talvez se fosse tão cedo eu estaria semente ainda. Acho que só amadureço depois das coisas todas. Depois que todos anoitecem, meu sol aparece. Tenho o tempo do mundo invertido. Não me comprometo em sincronizar os relógios, às vezes bate certo e comemoro porque isso é tão extraordinário como ouvir sua poesia favorita ser declamada pelas ruas. O tic tac encolhe a gente, esse barulhinho deixa a gente pequeno e refém. Quebrando os ponteiros se pode ouvir os passarinhos do caminho, prestar atenção nas conversas de estranhos, se entregar à palpitações, dançar sem música com seu amor. Sem os ponteiros não seria tarde. Nem cedo. Seria, apenas. E de ser é que a gente se preenche.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Só
Os pesadelos dominam as manhãs silenciosas.
Existência que se espalha
Sinto saudades da vida que sonhei
Ao ser crescida temi o mundo todo
Medo tolo e dominante
Estremeço se caminho
Nada tem brilho
As cores são só cores
O dia lá fora é apenas o dia
e todas as obrigações gritantes sequestram minha paz
Cadê a vida que eu vi passando?
Descontrole de emoções é um alívio perigoso
Me distancio do prosaico
Esqueço de acordar
Nada é suficiente, nem a dor, nem o nada
Meu corpo é jovem e tantas vezes seco.
As cicatrizes mais chegadas não dormem cedo.
Queria ouvir o som dos pássaros da árvore perto da parada de ônibus
Pra saber que outros ciclos funcionam, que outras asas sabem bater.
Existência que se espalha
Sinto saudades da vida que sonhei
Ao ser crescida temi o mundo todo
Medo tolo e dominante
Estremeço se caminho
Nada tem brilho
As cores são só cores
O dia lá fora é apenas o dia
e todas as obrigações gritantes sequestram minha paz
Cadê a vida que eu vi passando?
Descontrole de emoções é um alívio perigoso
Me distancio do prosaico
Esqueço de acordar
Nada é suficiente, nem a dor, nem o nada
Meu corpo é jovem e tantas vezes seco.
As cicatrizes mais chegadas não dormem cedo.
Queria ouvir o som dos pássaros da árvore perto da parada de ônibus
Pra saber que outros ciclos funcionam, que outras asas sabem bater.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Enlevo
Como eu poderia imaginar você?
Como imaginaria seu toque quando suave ou sua libido quando refratária?
Eu encaixaria você nos meus sonhos, talvez.
E sentiria sua falta ao acordar.
Esperaria um trem sem saber o motivo.
Perderia o juízo se visse você passar.
Conheceria você e chegaria bem perto.
Seu hálito provocaria um arroubo, daqueles que você sabe encarar.
Eu te conheceria mesmo sem te conhecer. Você sabe.
Como eu poderia não imaginar você?
Como não imaginaria seu êxtase quando absorta ou seu bamboleio quando lasciva?
Eu me perderia em seu corpo, evidentemente.
E enlaçaria sua presença ao acordar.
Esperaria o trem conscientemente.
Perderia o juízo se visse você partir.
Conheceria cada parte de você e observaria de perto.
Seu sussurro causaria arrebatamento, daqueles que eu sei te fazer encarar.
Eu te amaria mesmo só podendo te imaginar. Você sabia?
Assinar:
Postagens (Atom)

