segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Intimidade

Invade 
e corrompe meus tolos pensamentos,
te observo 
você está em frente a geladeira, 

seu cabelo está deliberadamente jogado sobre o ombro 
e descansando sobre seu peito direito, 

você pega a garrafa d'água 
e nós nunca precisamos de copo,

você mata a sede no gargalo

e devolve a garrafa à geladeira.
Me olha de longe,

nua, 

linda a sorrir 

e vem em minha direção. 

Eu, 

sentada no seu sofá preto, 

fico imensamente pequena 
diante da grandeza 
que tem essa nossa paixão.

Lua Cheia

Primeiro os pés lentamente pisam no terreno fértil.
Descalços, é claro, que não sou mulher de não-me-toques. 
Dá pra plantar, dá pra colher, dá pra matar a fome. 
Aos poucos cada parte da minha pele conhece cada parte desse terreno que é o meu par. 
Depois de muito rolar nessa terra macia, 
de muito apertar entre os meus dedos um bocado desse barro versátil. 
Só depois de amornar o solo é que me deito. 
E então me entrego mais e mais. 
Sou o oposto do fogo de palha, sou brasa mansa que de tanto soprar pega fogo intenso que arde. 
Não abranda, meu amor, que o tempo de ser brando eu já vivi.
Ferve comigo, aperta, espreme e suga. 
Que nessa dança só te peço pra não cansar de dançar.
Você foi furacão e eu ainda aproveitava as delícias do vento calmo bagunçando meu cabelo. 
Agora passou sua ventania, caminho natural do amor onde eu pego a direção contrária. 
Sem mistérios o encanto está no que já se sabe, no que já se é.
A intimidade do banheiro compartilhado, da cara limpa, do sexo sem pudor cria uma magia entre nossos olhares.
Se antes eu já te amava, agora é paixão violenta que pulsa sob minha carne. 
É desejo mesquinho que percorre as minhas veias. 
Ciúmes venenosos roubam meu sono presenteando as minhas noites com devaneios domcasmurrianos.
É como se você espremesse meu coração, ainda batendo forte, pulsante, vivo e eu lambesse desesperada o sangue que fosse escorrendo pelo seu braço pra evitar que manchasse sua roupa.
É unha rasgando a pele com prazer e dor.
Um querer devastador como a sede.
E é medo também como a imensidão do mar no escuro da noite.


Vem matar e morrer comigo, meu amor. 

Estou entregue, sou sua, uma completa apaixonada, cega, furiosamente cega.