domingo, 24 de julho de 2011

Tão perto

Você sempre me deixa um gosto doce
que vai amargando com a distância que você me impõe.
Uma liberdade recíproca.
Fico aqui sentindo a ausência do calor dos seus segredos.
Em breve eu me enfeitiço.
A rotina fria consome minha quietude.
Eu não te consumo mais.
E sem culpados, sem desculpas
eu permito e você me retém.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Rumores

Nem que eu repetisse desordenadamente
Ou que eu fingisse sempre e sempre
Me engano os mesmo erros
Choro às mesmas luas
Nem se eu me calasse internamente
Ou que eu não escutasse meus gritos sussurrando de novo e de novo
Me sinto os mesmos toques
Cedo às mesmas ilusões
Nem que eu ignorasse controladamente
Ou que eu não perdoasse seus perdões nunca e nunca
Me entrego aos mesmos sons
Calo às mesmas dúvidas
Cansei de não fugir, fingir machuca.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Gosto

Gosto dessa intensidade.
O frio queimando a pele e a gente tão quente
Às vezes acho que você tem gosto de café com chocolate
e sua dor me lembra chuva e terra molhada.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Não te levei para passear nos lugares mais altos,
e você nem brincou com novelos de lã.
A mantive quentinha no meu edredom.
Mais carinho que você dava, nem eu te dei.
Vou sentir tanta falta...
me esperava no sofá, minimalista, discreta,
com todo amor que só a gente entedia.
Não coube um adeus no fim,
a morte nunca me doeu,
me dói a partida e me dói mais o começo da saudade.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O quarto

Estremeceu seu corpo inteiro. Ora se encolhia, ora se apertava com as mãos. Lembrou de teorias, lembrou de se lembrar de feridas. Dores que voltam mais pesadas. Na penumbra de seu quarto solitário ela se permitiu doer. Depois daquela porta cada parte de si havia de ser controlada e o que se partiu, completo aparentaria. Ficou contente por ainda fazer frio, o clima foi seu acalanto. Sempre sabendo do tempo e de imaginar futuros passageiros estava com a sua pretensão ferida. E todo aperto - que ela tentava adormecer em vão - deixava molhar salgado sua rotina. Nada mais tinha a fazer. Abraçou o desapego mordaz sem esperança de bálsamo, sem cor.