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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Rumores

Nem que eu repetisse desordenadamente
Ou que eu fingisse sempre e sempre
Me engano os mesmo erros
Choro às mesmas luas
Nem se eu me calasse internamente
Ou que eu não escutasse meus gritos sussurrando de novo e de novo
Me sinto os mesmos toques
Cedo às mesmas ilusões
Nem que eu ignorasse controladamente
Ou que eu não perdoasse seus perdões nunca e nunca
Me entrego aos mesmos sons
Calo às mesmas dúvidas
Cansei de não fugir, fingir machuca.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Devestir.

Era um vestido que já nasceu fora de moda.
Seus valores eram mutáveis
e tinha o pano aberto.
Suas cores não tinham nome,
tão indefinidas como seus dons,
tão mornas como seus dotes.
Era meio desajeitado,
cintos não lhe caíam bem.
Gostava mesmo era dos tecidos amarrotados e livres.
Não gostava da gaveta em que ficava,
queria passear pelos cabides,
pelas peles jovens onde pudesse deslizar o quanto quisesse.
Imaginava como seria desfilar por corpos afora
desbravando cinturas e percorrendo quadris.
Tanta costura fora daquele armário velho...
tantas manchas lá dentro.
Entretanto, ele só queria ser vestido,
mas o mundo esperava mais.