sexta-feira, 13 de agosto de 2010

À ventura.




Andava pelas calçadas,
cheia de certezas e fugas.
Mas aquela estrada de barro ...
Pisei assim descalça mesmo.
Larguei mão do costume
e caminhei pelas suas sinuosas curvas
sem destino.
E a rotina me parecia distante.
E o acaso me fascinou de repente.
Tinha sempre uma flor no caminho,
uma lama macia,
um arrepio de vento.
O chão me convidava e eu rolava assim sem hesitar.
Era como meus vôos longos de devaneios,
e eu só via que era real quando sentia meus pés sujos e felizes.
Me ausentei dos dilúvios imaginários,
dos compromissos inadiáveis.
Porque era a liberdade aventureira que gritava,
o meu olhar mais bonito que brilhava.
Era só eu e todo aquele caminho castanho incerto.



sábado, 31 de julho de 2010

Cor

Ofereceu sem pensar muito no porvir:
- Pegue, agora é seu.
Em troca recebeu um olhar tímido que não soube decifrar, mas seus lábios pareciam ignorar a curiosidade e descontrolados abriram passagem pro sorriso, como cortinas vermelhas de palco. Juntaram as mãos uma na outra feito promessa.
- Pode cuidar como quiser, viu ? Não se preocupe ... Tenha medo não.
Os abraços foram ficando fracos...
- Tenha medo não ...
A sinceridade veio assim num repente.
- Como quiser, viu ?
Mãos, pele, vento, cobertor.
- Medo não ... cuida, viu ?
Lembranças que impediam de querer o fim, assim como impediam de pedir de volta.
Mas nem toda doçura e liberdade, nem todo o bem. Doeu. Pegou de volta não, deixou metade.
- Se cuida, viu ?


domingo, 18 de julho de 2010

Gavetas e lençóis

Que se talvez ao invés de amores distantes
houvesse um amor que de tão perto não pode ser?
E se talvez ao invés de tudo que se pode esperar de duas pessoas
houvesse pessoas que gostam de prever e complicar?
É que talvez pudesse ter sido se não fosse...
e talvez ninguém entenda além delas e nem elas entendam muito além.
O medo talvez paralise o sentimento
e talvez esse sentimento seja tão diferente que nem sentir elas sabem não.
Sabem tocar...
Grandes sonhadoras que não cabem em uma vida só... em um sonho só.
Se despedir de um sonho não é fácil para quem se apega a ele.
Saem as duas um tanto feridas do sonho que tiveram
Um tanto saudosas dos belos momentos.
É que o tempo ajuda a fechar as gavetas e talvez o lençol deixe de caber na cama nova.
E fique assim dobrado, quietinho, cheio de histórias pra contar.

domingo, 20 de junho de 2010

Cereja

Cereja em voltas.
Pedi pro tempo parar um tantinho
Só um tiquinho pra gente se vê.
A luz colorida que sai de você
quando bate o sol
já alegra todo meu dia sem cor.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mas a saudade

É que eu sinto saudades do brilho dos seus olhos e
do encanto que tinha por mim.
Do segredo disfarçado e culpado pelas insônias.
Dos presentes - surpresa.
As horas passando ...
Furtivos encontros.
É na saudade que vejo o quanto era bom notar seus olhos parados na minha direção.
E sua risada sem graça dos seus devaneios proibidos.
É que eu sinto saudade desse tempo.
Do tempo que nasceu a canção
Que me parecia tão mútuo ...
tão meu.
É que eu sou de inseguranças mesmo,
e agora vejo seus olhos já cansados.
Um respeito pelo que passou.
Aquela amizade sem paixão.
Já não espero muito de mim,
nunca soube te conquistar
É que tenho medo da sedução,
do talvez.
É que eu sempre tive medo.
Mas a saudade...