segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Intimidade

Invade 
e corrompe meus tolos pensamentos,
te observo 
você está em frente a geladeira, 

seu cabelo está deliberadamente jogado sobre o ombro 
e descansando sobre seu peito direito, 

você pega a garrafa d'água 
e nós nunca precisamos de copo,

você mata a sede no gargalo

e devolve a garrafa à geladeira.
Me olha de longe,

nua, 

linda a sorrir 

e vem em minha direção. 

Eu, 

sentada no seu sofá preto, 

fico imensamente pequena 
diante da grandeza 
que tem essa nossa paixão.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Primavera

Devagarinho seu olhar percorre meu corpo em chamas
e todas as delícias que me diz ao pé do ouvido são feito mágica que me enfeitiça.
Cá estou, louca em arrepios. E tudo torna-se abstrato. Nada mais está.
Enlaço teu corpo eternamente entre meus braços e pernas, entre a manta e o colchão, entre o teto e o chão do quarto-sala. 
Ali, onde nossas roupas suadas descansam, descansa também todo o amor do mundo.
E aqui bem perto do fim do traçado do seu sorriso é o paraíso ou coisa parecida.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Carnaval e seu fim

Esqueci a tua face em alguma bruma de minha alma 
assim como esqueço que traje vesti em uma ocasião trivial.
Agora teu rosto é um caos como cacos de vidro espalhados no fim de festa. 
Borrões de tinta no lugar de seu semblante. Sombras no lugar das suas emoções.
Você está em mim como confetes achados num chão de setembro. 



quarta-feira, 2 de julho de 2014

terça-feira, 17 de junho de 2014

Tremores íntimos

O receio de ser como o mar revolto que cobiço é o estorvo que impede meus cabelos de embaraçar com o vento. 
O medo que arrefece minha espinha é o que tolhe meu usurpador grito de liberdade. 
O pavor de mirar a desilusão escorrendo pela tez familiar é que refreia minha esfinge libertina.

Contemplo a covardia que me assola com a inércia comum aos fracos.


Carrego no peito meu próprio perdão, tão comum aos conformados.


Na esperança de que os fios brancos venham amainar toda a sofreguidão vou serenando com o passeio dos ponteiros. Entre a paralisia e o assalto sigo inflamando insanidades profanas nas fogueiras clandestinas tão secretas quanto os gemidos dos pervertidos.