quinta-feira, 10 de abril de 2014

Seu jeito vermelho que eu amo

Amor, você é vermelho.

E sangra:
um jeito à flor da pele que chora e grita,
um olhar doce com um sorriso discreto como quem quer descobrir por que te olho,
a linha no queixo que é das coisas mais lindas que tem nesse mundo,
um não-gostar de despedidas.

E sangra:
cicatrizes vorazes,
coragem receosa,
calafrios que te invadem,
um jeito bonito de pedir perdão.

Sangram:
Sua urgência. Seu 'é agora ou nada'. 
Seus temores. Seus ciúmes.
Lágrimas e lágrimas.
Gritos e gritos.
Prazeres e prazeres.
É paixão de tudo.

Amor, você é vermelho e sangra.


quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Da senda que percorri

Quantos cortes ainda vamos sangrar?
Agora que a lucidez é viva, te enxergo mais, mas não te salvo.
Meus ímpetos que te doem, minhas mãos que não te alcançam, minhas palavras que não falam.

A embriaguez não suporta o dia seguinte.

Deixamos a porta entreaberta ou a paixão escapa pelas fendas?
Ouço seu pranto bem perto das minhas lembranças.
Fincando os pés no agora, sou impulsos destrutivos e calor.

Quero matar a sede e não dou conta de beber.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Disparando

Desastradamente acaricio suas dores. 
E me reconheço em seu olhar triste que foge.

Tento, 

também fugidia,

desvendar o que aflige esse teu peito que se expande.

De repente possa ser um sorriso. 
De repente possa ser o que se dispara.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Os pés pelas mãos. Quando dou por mim já sou emoções incontroláveis Respiro. Excesso de condescendência. Me culpo e me perdoo. Queria que você pudesse ouvir meus gritos internos. Sinto uma espécie de febre de dentro pra fora. Eu rejeito as ideias de possibilidades que possam te ferir. Mas da febre ao sobressalto eu me perco. Tem uma melancolia em meus relatos. Sinto, muitas vezes, que não sei tanto de mim. Sei das miudezas, mas nada sei desses ataques súbitos.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Ir

Sou covarde, me desprotege agora porque não posso fazê-lo. Dos gritos internos transbordo. Socorro. Amplifico as dores das lembranças como veneno, oníricas. Velando meu corpo vivo como se estivesse no fim, sem saída. Quero ir embora para poder ser expansão e nudez. Permito que me negue, que me apague, que me sofra, que me lacrimege. Permaneço. Contando os sonhos que ainda faltam. Socorro. Eu grito não. Ferida sou discreta, outrora sou crua, não grito. Sou covarde, rasgo cartas que nunca escrevi. Falo de mim, sua cria, que não conhece, que não conheço. A que não sou. Socorro.  Quando sonho com o mar revolto me dá medo. Vou partir, te desamparo, tal qual me recordo. Te peço que me solte como quando me esquecia, vingança. Socorro.