Em que canto cabe esse meu implorar patético por mais amor?
Já não cabe mais na nossa casa que eu construí sem trancas nas portas.
Já não cabe mais no meu baú de palavras não ditas.
Cabe tampouco nas minhas insônias.
Aonde posso largar esse meu desamparo ridículo?
Não encaixa na nossa manta coberta de pecados inconfessáveis.
Não fica bem quando dita de longe nem quando dita de perto.
Não combina com as suas asas tão finas.
Onde eu posso enterrar essa parte torta do meu amar?
Parece não ter jeito de ficar no nosso quintal.
Também não tem espaço na harmonia da nossa partitura.
Nem mesmo fica dentro de mim.
E, por fim, em que pedacinho de nós cabe a minha feroz insegurança?
Nas minhas palpitações.
No meu medo bobo.
Na minha unha não feita.
No meu arrependimento.
Nas minhas poesias.
No meu pedido de desculpas.
Na minha ânsia de saber tudo.
No meu delírio.
Em mim.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Intimidade
Invade
e corrompe meus tolos pensamentos,
te observo
você está em frente a geladeira,
você está em frente a geladeira,
seu cabelo está deliberadamente jogado sobre o ombro
e descansando sobre seu peito direito,
você pega a garrafa d'água
e nós nunca precisamos de copo,
você mata a sede no gargalo
e devolve a garrafa à geladeira.
Me olha de longe,
nua,
linda a sorrir
e vem em minha direção.
Eu,
sentada no seu sofá preto,
fico imensamente pequena
diante da grandeza
que tem essa nossa paixão.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Primavera
Devagarinho seu olhar percorre meu corpo em chamas
e todas as delícias que me diz ao pé do ouvido são feito mágica que me enfeitiça.
Cá estou, louca em arrepios. E tudo torna-se abstrato. Nada mais está.
Enlaço teu corpo eternamente entre meus braços e pernas, entre a manta e o colchão, entre o teto e o chão do quarto-sala.
Ali, onde nossas roupas suadas descansam, descansa também todo o amor do mundo.
E aqui bem perto do fim do traçado do seu sorriso é o paraíso ou coisa parecida.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
Carnaval e seu fim
Esqueci a tua face em alguma bruma de minha alma
assim como esqueço que traje vesti em uma ocasião trivial.
Agora teu rosto é um caos como cacos de vidro espalhados no fim de festa.
Borrões de tinta no lugar de seu semblante. Sombras no lugar das suas emoções.
Você está em mim como confetes achados num chão de setembro.
assim como esqueço que traje vesti em uma ocasião trivial.
Agora teu rosto é um caos como cacos de vidro espalhados no fim de festa.
Borrões de tinta no lugar de seu semblante. Sombras no lugar das suas emoções.
Você está em mim como confetes achados num chão de setembro.
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