A neblina sempre me inspirou devaneios. Hoje a tarde eu quase achei que podia tocar na felicidade. O vento gelado ultrapassando o casaco de lã me provocava arrepios responsáveis pela minha conexão com a realidade. Até que surgiu o choque em desespero, apenas a vida invadindo meu recanto. Não controlo as mãos que tremem assustadas, nem as contrações involuntárias que aparecem vez ou outra. Plenamente na realidade, procuro o que me entorpeça. Entristeço, inevitavelmente. E escolho, prosaicamente, fechar os olhos e, medíocre e frágil, tento adormecer.
terça-feira, 28 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
Resposta nº 1
Depois da sua ausência dei pra sonhar com você toda noite,
não escuto o telefone,
falo sozinha mais que antes.
Tenho que relembrar as dores toda hora
para não ceder ao impulso de discar seu número.
Depois das suas desculpas repetidas dei pra não acreditar em mais nada que você dizia,
desconfiei das suas eternas esquivas,
senti vergonha do meu desamparo.
Tenho que esquecer nossas alegrias todo o tempo
para não me entregar à saudade.
não escuto o telefone,
falo sozinha mais que antes.
Tenho que relembrar as dores toda hora
para não ceder ao impulso de discar seu número.
Depois das suas desculpas repetidas dei pra não acreditar em mais nada que você dizia,
desconfiei das suas eternas esquivas,
senti vergonha do meu desamparo.
Tenho que esquecer nossas alegrias todo o tempo
para não me entregar à saudade.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
Desvario
A moça tinha cheiro de roupa velha, daquelas de fundo de armário. Seus passos eram apertados, o oposto de seu vestido. Um vestido florido e folgado de amarrar na nuca. Por onde ela passasse, os olhares do caminho queriam desatar o nó que encobria sua nudez. O cabelo ondulado e balançante era um convite ao flerte. Dava vontade de acompanhar a dança todo dia pra guardar o sorriso que ela sabia causar. Mas bem se sabe que a moça tem pressa e tem pressa, também, a vida a me chamar.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Embaraço
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| Entre o chão e os ares - Camelo |
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Descuido
Por todos os desamores insanos que pude contar
se fez a solidão no colo carente de abraços e poesia.
"A felicidade morava tão vizinha
Que, de tolo, até pensei que fosse minha
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha " - Chico
Do lado de lá tanta ventura
E eu a esperar pela ternura
Que a enganar nunca me vinha " - Chico
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