A menina sentou e ficou admirando o vermelho forte do corte do seu joelho. Doía, mas ela negou todos os remédios. Nunca foi de anestesias, queria sentir o que deveria ser experimentado. "Assim demora mais pra cicatrizar e a marca fica." Deu de ombros. Ela jamais escolhia a solução mais prática. Talvez o segredo esteja nas cicatrizes, se orgulhava com ternura. Sem pretensões de futuras coleções, só queria a experiência que lhe cabia. Além de encar(n)ar a dor, não era lá de grandes ambições.
Longe é só um lugar onde a gente nunca vai. - Alice
Me encanta o extraordinário me desajusta, entorpece Seguro em segredo essa disritmia Aguardo, respiro, distraio Me engano e sonho o dia inteiro Com vida sorrio e releio e suspiro Voando boba, levíssima e facílima.
- Sempre fica faltando alguma coisa. - Eu também acho. Rompeu-se. Depois do fim ainda ficou faltando. Acho que pra mim ainda mais que antes. Falta a presença e suas consequências. Sobram lembranças de abraços noturnos, sua mão, a minha, todas aquelas sensações bonitas, sua voz por horas na madrugada sem fim e dava pra sentir você até mesmo pelo telefone. Ainda dá pra sentir você, muito. Faltam alívios e paz. E sobre o cansaço, já cansamos de escutar. Amor tem tanto. Tanto, amor. E mesmo depois de desatado, o nó ainda fica apertado, cortante, gritando que dói. - É preciso tempo, meu bem. - É. Tudo o que eu sinto parece grande e bonito demais para que eu deixe ir e eu tenho medo. Tenho medo desse tempo, medo que cure. Talvez por apego. Eu queria tanta coisa, fiquei assustada, me escondi e quando eu te encontrava a insegurança me prendia e acabava com meus impulsos. Era só você se aproximar e as palpitações me visitavam outra vez. - Eu preciso ir. - Por que? - Senão não estarei sendo sincera nem com você, nem comigo. Eu queria ter tocado em você mais vezes e ter te roubado beijos quando eu tive vontade, queria poder ter te falado que te amava quando eu tive certeza e perguntar qual a parte da sua nuca eu deveria acariciar. Acho que eu não soube colocar meu amor em ação, não soube tirar você pra dançar.
- Queria te ver e ficar abraçada com você até passar.
E eu que sofro de saudades infinitas, de dores imensas e imaginação fértil fico imersa. Descompassada, tão menina, apaixonada ainda, tento acreditar nessa sensação de fim.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Caberia dizer que me assusto com facilidade
ou caberia não falar nada e não encaixar os meus nãos
e ser toda sim, aceita, sorrisos e paz.
Não me caberia mais nada que não me saísse
ou só me caberia o nosso silencio por fim.
De não caber já basta toda a realidade que não entra,
todo querer que sem liberdade, se esvai.
Queria caber no seu melhor sorriso de fim de tarde