sexta-feira, 25 de maio de 2012

Qual é o oposto do medo?

Descer do muro, pular a cerca, invadir.
Ausência da ilusão, pontualidade.
Um beijo clandestino na nuca. Causar arrepios fortuitos.
Concretude apraz. 

terça-feira, 22 de maio de 2012

Vai serenar

A menina sentou e ficou admirando o vermelho forte do corte do seu joelho.
Doía, mas ela negou todos os remédios.
Nunca foi de anestesias, queria sentir o que deveria ser experimentado.
"Assim demora mais pra cicatrizar e a marca fica."
Deu de ombros. Ela jamais escolhia a solução mais prática.
Talvez o segredo esteja nas cicatrizes, se orgulhava com ternura.
Sem pretensões de futuras coleções, só queria a experiência que lhe cabia.
Além de encar(n)ar a dor, não era lá de grandes ambições.


Longe é só um lugar onde a gente nunca vai. - Alice





sábado, 28 de abril de 2012

O amor e seu trabalho silencioso

Me encanta o extraordinário 
me desajusta, entorpece
Seguro em segredo essa disritmia 
Aguardo, respiro, distraio
Me engano e sonho o dia inteiro
Com vida sorrio
e releio e suspiro
Voando boba, 
levíssima e facílima. 

"Vai pegar feito bocejo
Ou que só o sentido vê
Instigado num lampejo
Despertado pelo beijo
Que o baile parou pra ver

Da marchinha fez silêncio
Num silêncio escutei
Uma disritmia em meu coração
Que se instalou de vez" Céu

domingo, 8 de abril de 2012

O amor não sendo suficiente

- Sempre fica faltando alguma coisa.
- Eu também acho.
Rompeu-se. Depois do fim ainda ficou faltando. Acho que pra mim ainda mais que antes. Falta a presença e suas consequências. Sobram lembranças de abraços noturnos, sua mão, a minha, todas aquelas sensações bonitas, sua voz por horas na madrugada sem fim e dava pra sentir você até mesmo pelo telefone. Ainda dá pra sentir você, muito. Faltam alívios e paz. E sobre o cansaço, já cansamos de escutar. Amor tem tanto. Tanto, amor. E mesmo depois de desatado, o nó ainda fica apertado, cortante, gritando que dói.
- É preciso tempo, meu bem.
- É.
Tudo o que eu sinto parece grande e bonito demais para que eu deixe ir e eu tenho medo. Tenho medo desse tempo, medo que cure. Talvez por apego. Eu queria tanta coisa, fiquei assustada, me escondi e quando eu te encontrava a insegurança me prendia e acabava com meus impulsos. Era só você se aproximar e as palpitações me visitavam outra vez. 
- Eu preciso ir.
- Por que?
- Senão não estarei sendo sincera nem com você, nem comigo.
Eu queria ter tocado em você mais vezes e ter te roubado beijos quando eu tive vontade, queria poder ter te falado que te amava quando eu tive certeza e perguntar qual a parte da sua nuca eu deveria acariciar. Acho que eu não soube colocar meu amor em ação, não soube tirar você pra dançar. 
- Queria te ver e ficar abraçada com você até passar.
E eu que sofro de saudades infinitas, de dores imensas e imaginação fértil fico imersa. Descompassada, tão menina, apaixonada ainda, tento acreditar nessa sensação de fim.






sexta-feira, 30 de março de 2012

Caberia dizer que me assusto com facilidade
ou caberia não falar nada e não encaixar os meus nãos
e ser toda sim, aceita, sorrisos e paz.
Não me caberia mais nada que não me saísse
ou só me caberia o nosso silencio por fim.
De não caber já basta toda a realidade que não entra,
todo querer que sem liberdade, se esvai.
Queria caber no seu melhor sorriso de fim de tarde
e lavar as descabidas dores que te trouxe.