segunda-feira, 28 de março de 2022

Qual é o meu lugar na sua vida?
Nem você sabe ou finge não saber.
Qual é o tamanho dessa saudade?
Tão curta que logo passa.

Eu não sou mais alguém para quem você faz impossíveis, 
logo eu, viciada em ir atrás do meu desejo
logo eu, tranquei a porta do meu quarto e engoli a chave
pra me proteger do risco de ir até você.


quarta-feira, 16 de março de 2022

Aqui e agora

Aqui, nesse lugar repleto de ontem, eu me permito chorar esse adeus.

As palavras permanecem, apesar de tudo. Elas, que nunca me abandonam, me fazem lembrar de tudo que se foi e era tão bonito. De tudo que já foi eterno um dia. De tudo que parecia tão especial e se acabou ordinariamente. 

Esse olhar que era tão meu. Esse carinho que era tão da minha pele. Essas declarações surpresas que invadiam os meus dias, tão minhas. Esse fazer de tudo pra me ver. Esse chegar na minha casa de madrugada. Esse estar na minha vida inteiramente. Essas piadas que eram tão pra mim. 

E agora é tudo dela.

Por aqui, ainda leio suas palavras doces vindas da eternidade de tantos anos atrás.

Vai passar. Mas as palavras permanecerão. Eu tatuo a minha história no tempo, eu escrevo.



sexta-feira, 29 de abril de 2016

Espinhos

Em que canto cabe esse meu implorar patético por mais amor?
Já não cabe mais na nossa casa que eu construí sem trancas nas portas.
Já não cabe mais no meu baú de palavras não ditas.
Cabe tampouco nas minhas insônias.
Aonde posso largar esse meu desamparo ridículo?
Não encaixa na nossa manta coberta de pecados inconfessáveis.
Não fica bem quando dita de longe nem quando dita de perto.
Não combina com as suas asas tão finas.
Onde eu posso enterrar essa parte torta do meu amar?
Parece não ter jeito de ficar no nosso quintal.
Também não tem espaço na harmonia da nossa partitura.
Nem mesmo fica dentro de mim.
E, por fim, em que pedacinho de nós cabe a minha feroz insegurança?
Nas minhas palpitações.
No meu medo bobo.
Na minha unha não feita.
No meu arrependimento.
Nas minhas poesias.
No meu pedido de desculpas.
Na minha ânsia de saber tudo.
No meu delírio.
Em mim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Intimidade

Invade 
e corrompe meus tolos pensamentos,
te observo 
você está em frente a geladeira, 

seu cabelo está deliberadamente jogado sobre o ombro 
e descansando sobre seu peito direito, 

você pega a garrafa d'água 
e nós nunca precisamos de copo,

você mata a sede no gargalo

e devolve a garrafa à geladeira.
Me olha de longe,

nua, 

linda a sorrir 

e vem em minha direção. 

Eu, 

sentada no seu sofá preto, 

fico imensamente pequena 
diante da grandeza 
que tem essa nossa paixão.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Primavera

Devagarinho seu olhar percorre meu corpo em chamas
e todas as delícias que me diz ao pé do ouvido são feito mágica que me enfeitiça.
Cá estou, louca em arrepios. E tudo torna-se abstrato. Nada mais está.
Enlaço teu corpo eternamente entre meus braços e pernas, entre a manta e o colchão, entre o teto e o chão do quarto-sala. 
Ali, onde nossas roupas suadas descansam, descansa também todo o amor do mundo.
E aqui bem perto do fim do traçado do seu sorriso é o paraíso ou coisa parecida.