Você me dói como um amor não vivido, como uma carta rasgada que eu nunca enviei,
me dói como o nascer do sol, como o medo de mar.
Você me dói como um desejo negado, como um sonho irrealizável.
Você me dói e sabe, você me dói e fica, e cura, me dói e eu sorrio ainda.
Você me dói quando não vem e quando me visita.
Você me dói como fim de romance, como chocolate perdido.
Você me dói das palpitações aos espasmos.
Você me dói como esquecer.
domingo, 3 de junho de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Qual é o oposto do medo?
Descer do muro, pular a cerca, invadir.
Ausência da ilusão, pontualidade.
Um beijo clandestino na nuca. Causar arrepios fortuitos.
Concretude apraz.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Vai serenar
A menina sentou e ficou admirando o vermelho forte do corte do seu joelho.
Doía, mas ela negou todos os remédios.
Nunca foi de anestesias, queria sentir o que deveria ser experimentado.
"Assim demora mais pra cicatrizar e a marca fica."
Deu de ombros. Ela jamais escolhia a solução mais prática.
Talvez o segredo esteja nas cicatrizes, se orgulhava com ternura.
Sem pretensões de futuras coleções, só queria a experiência que lhe cabia.
Além de encar(n)ar a dor, não era lá de grandes ambições.
Doía, mas ela negou todos os remédios.
Nunca foi de anestesias, queria sentir o que deveria ser experimentado.
"Assim demora mais pra cicatrizar e a marca fica."
Deu de ombros. Ela jamais escolhia a solução mais prática.
Talvez o segredo esteja nas cicatrizes, se orgulhava com ternura.
Sem pretensões de futuras coleções, só queria a experiência que lhe cabia.
Além de encar(n)ar a dor, não era lá de grandes ambições.
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| Longe é só um lugar onde a gente nunca vai. - Alice |
sábado, 28 de abril de 2012
O amor e seu trabalho silencioso
Me encanta o extraordinário
me desajusta, entorpece
Seguro em segredo essa disritmia
Aguardo, respiro, distraio
Me engano e sonho o dia inteiro
Com vida sorrio
e releio e suspiro
Voando boba,
levíssima e facílima.
me desajusta, entorpece
Seguro em segredo essa disritmia
Aguardo, respiro, distraio
Me engano e sonho o dia inteiro
Com vida sorrio
e releio e suspiro
Voando boba,
levíssima e facílima.
"Vai pegar feito bocejo
Ou que só o sentido vê
Ou que só o sentido vê
Instigado num lampejo
Despertado pelo beijo
Que o baile parou pra ver
Da marchinha fez silêncio
Num silêncio escutei
Uma disritmia em meu coração
Que se instalou de vez" Céu
domingo, 8 de abril de 2012
O amor não sendo suficiente
- Sempre fica faltando alguma coisa.
- Eu também acho.
Rompeu-se. Depois do fim ainda ficou faltando. Acho que pra mim ainda mais que antes. Falta a presença e suas consequências. Sobram lembranças de abraços noturnos, sua mão, a minha, todas aquelas sensações bonitas, sua voz por horas na madrugada sem fim e dava pra sentir você até mesmo pelo telefone. Ainda dá pra sentir você, muito. Faltam alívios e paz. E sobre o cansaço, já cansamos de escutar. Amor tem tanto. Tanto, amor. E mesmo depois de desatado, o nó ainda fica apertado, cortante, gritando que dói.
- É preciso tempo, meu bem.
- É.
Tudo o que eu sinto parece grande e bonito demais para que eu deixe ir e eu tenho medo. Tenho medo desse tempo, medo que cure. Talvez por apego. Eu queria tanta coisa, fiquei assustada, me escondi e quando eu te encontrava a insegurança me prendia e acabava com meus impulsos. Era só você se aproximar e as palpitações me visitavam outra vez.
- Eu preciso ir.
- Por que?
- Senão não estarei sendo sincera nem com você, nem comigo.
Eu queria ter tocado em você mais vezes e ter te roubado beijos quando eu tive vontade, queria poder ter te falado que te amava quando eu tive certeza e perguntar qual a parte da sua nuca eu deveria acariciar. Acho que eu não soube colocar meu amor em ação, não soube tirar você pra dançar.
- Eu também acho.
Rompeu-se. Depois do fim ainda ficou faltando. Acho que pra mim ainda mais que antes. Falta a presença e suas consequências. Sobram lembranças de abraços noturnos, sua mão, a minha, todas aquelas sensações bonitas, sua voz por horas na madrugada sem fim e dava pra sentir você até mesmo pelo telefone. Ainda dá pra sentir você, muito. Faltam alívios e paz. E sobre o cansaço, já cansamos de escutar. Amor tem tanto. Tanto, amor. E mesmo depois de desatado, o nó ainda fica apertado, cortante, gritando que dói.
- É preciso tempo, meu bem.
- É.
Tudo o que eu sinto parece grande e bonito demais para que eu deixe ir e eu tenho medo. Tenho medo desse tempo, medo que cure. Talvez por apego. Eu queria tanta coisa, fiquei assustada, me escondi e quando eu te encontrava a insegurança me prendia e acabava com meus impulsos. Era só você se aproximar e as palpitações me visitavam outra vez.
- Eu preciso ir.
- Por que?
- Senão não estarei sendo sincera nem com você, nem comigo.
Eu queria ter tocado em você mais vezes e ter te roubado beijos quando eu tive vontade, queria poder ter te falado que te amava quando eu tive certeza e perguntar qual a parte da sua nuca eu deveria acariciar. Acho que eu não soube colocar meu amor em ação, não soube tirar você pra dançar.
- Queria te ver e ficar abraçada com você até passar.
E eu que sofro de saudades infinitas, de dores imensas e imaginação fértil fico imersa. Descompassada, tão menina, apaixonada ainda, tento acreditar nessa sensação de fim.
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