terça-feira, 25 de outubro de 2011

Nos passos

E a menina levantaria sorrindo, se o abraço viesse.
Colocaria a canção pra tocar e arriscaria uns passos.
A espera parecia mais longa que suas pernas desajeitadas.
Ela acreditava que no fim da dança, assim que viesse o silêncio,
chegaria seu par. 
E tudo que se ouviria, enfim, seria aquela doce presença.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pontuação singular

Vi queimar todas as cruas rotinas
Espremi incessantemente toda a realidade
Vivendo um dia e depois o outro
Vi queimar os meus papéis
Espremi curiosamente toda a minha ferida viva
Querendo um outro e depois um dia
Queimei todo o meu sossego
Reduzi misteriosamente meus devaneios
Esquecendo um sonho após o outro
Quero queimar a vida inteira
Espremendo ininterruptamente o extraordinário 
Morrendo dia a dia sonhando em todos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Nem tudo que dói é a saudade. Quando a poesia vem simples em mim e o sol parece queimar mais do que deveria. Ou quando eu descubro os sabores das minhas unhas, ou sinto a força dos meus dedos contra a minha pele. Quando tudo já escurece no meu despertar.Minha voz me denuncia e eu era tão injustiça e
você tão chão, tão céu. 
Vou sempre tentando ocultar meus sentimentos roucos e minha tristeza gentil.
Para um começo é necessário um fim. Mas não sei partir sozinha. Em cortes lentos você vai ficando aos poucos.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A garça


Ficou ali parada
Admirando todo o horizonte
Criando metáforas e devaneios flutuantes.
Explorando os barcos interiores.
Como se o que estivesse vendo ali fora
pudesse mudar tudo o que estava ali dentro.
Respirou fundo algumas vezes.
Se acreditasse em mudanças repentinas
diria que naquele momento em que a garça se foi
sua dor voou junto pelos ares.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Abre a janela, mas tranca a porta.
Rabisca palavras e enterra verdades entre linhas.