sábado, 14 de janeiro de 2012

Ferido


Não dizer faz doer cada palavra aqui dentro.
Afiadas e tão prontas pra se despedir de mim
eu as agarro com força e silencio tudo.
Quando me calo, só a voz não me entrega
todo o resto do meu corpo é só descuido e sinceridade.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Profanação

É que eu tenho um amor, sabe?
Desses que dentro de mim faz festa, grita e dói.
E que às vezes sai pra passear.
Nem a minha mais devassa ousadia consegue romper o tabu. 
Não sei doar, sei viver não.
Como faz pra cessar a vontade do corpo?
Não sei lidar com meu coração acelerado e apertado quando tento tocar.
Tenho medo do outro,
dos corpos externos a mim
cheios de escolhas, sedes e vida.
Não ofereço saciedade, ofereço, sempre, uma liberdade cheia de fome.
Um limite definido pelos meus medos de mim, do que não sou eu, do que não sei ser.
É tudo insegurança e anseio, é tudo meu desejo intangível, minha volúpia sagrada.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Nos passos

E a menina levantaria sorrindo, se o abraço viesse.
Colocaria a canção pra tocar e arriscaria uns passos.
A espera parecia mais longa que suas pernas desajeitadas.
Ela acreditava que no fim da dança, assim que viesse o silêncio,
chegaria seu par. 
E tudo que se ouviria, enfim, seria aquela doce presença.


quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Pontuação singular

Vi queimar todas as cruas rotinas
Espremi incessantemente toda a realidade
Vivendo um dia e depois o outro
Vi queimar os meus papéis
Espremi curiosamente toda a minha ferida viva
Querendo um outro e depois um dia
Queimei todo o meu sossego
Reduzi misteriosamente meus devaneios
Esquecendo um sonho após o outro
Quero queimar a vida inteira
Espremendo ininterruptamente o extraordinário 
Morrendo dia a dia sonhando em todos.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Nem tudo que dói é a saudade. Quando a poesia vem simples em mim e o sol parece queimar mais do que deveria. Ou quando eu descubro os sabores das minhas unhas, ou sinto a força dos meus dedos contra a minha pele. Quando tudo já escurece no meu despertar.Minha voz me denuncia e eu era tão injustiça e
você tão chão, tão céu. 
Vou sempre tentando ocultar meus sentimentos roucos e minha tristeza gentil.
Para um começo é necessário um fim. Mas não sei partir sozinha. Em cortes lentos você vai ficando aos poucos.